Embrapa e Itaipu desenvolvem novo modelo de terraceamento para reduzir erosão no Paraná
Pesquisa em Toledo elevou capacidade de retenção de água dos terraços e testou uso de drones, modelagem digital e dados de disponibilidade hídrica
16:30
Fonte: Embrapa
A Embrapa Soja (PR) e a Itaipu Binacional desenvolveram, em conjunto, uma pesquisa voltada ao aprimoramento das práticas de conservação do solo no Paraná, com foco na eficiência dos terraços utilizados para controlar a erosão e ampliar a infiltração de água.O estudo combinou o uso de drones, softwares de modelagem e dados sobre disponibilidade de água no solo para avaliar o desempenho das estruturas e propor intervenções mais adequadas às condições das lavouras.A área de estudo foi uma bacia hidrográfica localizada no município de Toledo, no oeste do Paraná, região com características semelhantes às encontradas em cerca de 2 milhões de hectares no estado. O trabalho também considerou variáveis relacionadas ao armazenamento de água e à resiliência do solo em áreas conduzidas sob Sistema Plantio Direto (SPD).Tradicionalmente, a eficiência dos terraços é avaliada principalmente pela altura e largura das estruturas. Segundo a pesquisa, porém, esse critério pode ser insuficiente para garantir a proteção do solo diante de eventos climáticos extremos.Em outubro de 2017, a bacia hidrográfica de Toledo registrou 160 milímetros de chuva em aproximadamente 18 horas, provocando transbordamento dos terraços e uma perda estimada de 7,5 mil metros cúbicos de solo.A partir desse episódio, os pesquisadores iniciaram o redimensionamento das estruturas em 115 hectares da microbacia.Para isso, foram utilizados modelos digitais de elevação obtidos por drones e o software Terraço 4.1, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV).O projeto substituiu 43 terraços considerados ineficientes por 29 estruturas reprojetadas. A altura média passou de 0,26 metro para 0,72 metro, enquanto a capacidade de retenção de água aumentou de 22 milímetros para 71 milímetros.Segundo a Embrapa, a eficiência do novo sistema foi observada entre 2019 e 2024, período em que a microbacia enfrentou eventos com precipitações superiores a 30 milímetros por dia sem apresentar sinais de erosão ou formação de sulcos.A pesquisa também incorporou o conceito de Capacidade Estrutural Relativa (CER), desenvolvido para aumentar a precisão da avaliação funcional dos sistemas de terraceamento.De acordo com o pesquisador Henrique Debiasi, da Embrapa Soja, o método considera, entre outros fatores, o volume de água que cada terraço consegue armazenar e a quantidade de escoamento superficial gerada pelas chuvas.Segundo Debiasi, a proposta busca oferecer uma abordagem mais precisa para o dimensionamento dos terraços, incorporando ferramentas modernas para melhorar a conservação do solo e da água em áreas agrícolas.